O amor é…

Um dia eu acordei me sentindo estranhamente feliz, não sabia porquê ,pois eu realmente não tinha motivo para me sentir de tal forma.

Coloquei meu fone,liguei o mp4 e coloquei algo que me desse vontade de dançar; Dancei sozinha pela casa, pois eu estava sozinha e ficaria sozinha o dia inteiro.

Tomei café da manhã, e olhei pela janela, o sol radiante me cegava, mas era uma sensação agradável.

Continuei sem entender a razão de tanta alegria, afinal a pessoa que eu mais amava estava tão longe de mim,e constantemente isso era a razão que me deprimia, sempre pensava em “como seria se…”, “poderia ser de tal forma” , e isso costumava me atordoar,,mas naquele dia, naquele exato momento,eu me sentia feliz,e continuava sem saber o motivo.

Pensei em ligar para alguma amiga minha, pois estava eufórica e sem motivo se quer.

Acabei não ligando,pois era 9h00 e não sabia se estariam acordadas e com a mesma animação que eu me encontrava.

Esperei que desse 10h00 e tirei o fone e puis a música no computador, pois assim meus vizinhos não reclamariam por querer dormir,e se reclamassem, a lei permitia barulho à partir das 10h00.

Entrei nos sites de costume, orkut,fotolog,essas coisas, abri meu msn, procurando por apenas uma pessoa on line, não encontrei, fiquei desesperada ao ler aquele off line, pois precisava falar com alguém, e não podia ser qualquer pessoa, tinha que ser O alguém, fiquei algumas horas on line, e nada.

Geralmente, eu deixaria ser tomada por um pânico, uma angustia ao ler aquele off line,mas pela primeira vez na vida, aquilo não me afetava de tal forma, não que eu não me importasse, mas inexplicavelmente a vontade de sorrir ainda estava presente em mim.

Ainda sozinha, ouvindo minhas músicas mais empolgantes, fui À cozinha ver se tinha algo para o almoço; Não tinha.

Fiz um lanche e comi com Coca-cola.

Resolvi que queria sair de casa, como estava sem dinheiro para ir longe, ficaria pelo bairro mesmo.

Liguei pra minha amiga, ela falou que iria se trocar e daria um toque no meu cel, e eu ia na porta pra esperá-la.

Calcei meu tenis e esperei o meu celular tocar,uns 15 minutos depois e ele tocou.

Saí de casa, a comprimentei com um sorriso de orelha a orelha, e ela por me conhecer talves melhor do que eu mesma devesse me conhecer, perguntou: – Você está bem feliz, hein? porquê? – Disse num tom de que sabia que a resposta seria positiva.

Procurei um ponto fixo para olhar enquanto elaborava a minha desculpa,pois como eu iria convence-la que nem eu sabia o porque de estar assim.

Me acalmei, e respondi: – Eu já acordei assim. – olhei em seus olhos,com a tentativa fracassada de parecer convincente.

Ela olhou de lado, fingiu que acreditou e prosseguimos em um silêncio reflexivo.

Estava com ela, mas estava com o pensamento tão longe, precisava ligar para ele, precisavar compartilhar minha alegria inexplicavel com alguém que eu realmente amasse.

Andei planejando a forma de ficar sozinha.

Até que eu resolvi entrar no mercado, comprar alguma porcaria calórica no qual eu era viciada,pedi pra que ela buscasse enquanto eu ia ao banheiro.

Usei isso de pretesto para usar o telefone com a privacidade que se tem que ter para ligar para quem se ama.

Não, eu não sou melosa nem a pessoa mais romântica desse mundo, passo bem longe disso, pelo contrário, eu evito amar, pois eu me decepcionei o bastante pra não me arriscar de novo, mas quando eu me referia a ele, não era um, era O, e não era um risco, era uma certeza, e estava certa o bastante que era o certo a fazer, era o certo a sentir.

Entrei no banheiro, liguei para ele, queria compartilhar a felicidade inexplicavel que eu estava sentindo, aquele ‘tu tu’ era desesperador, pois estava ligando para sua casa,e não para o seu celular, que nunca era atendido, e sendo para a casa, eu sentia vergonha de quem poderia atender, vergonha só de dizer meu nome ao ouvir aquele “Quem gostaria?” que eu sempre respondia ” Ah, sou uma amiga dele!”, e isso era constrangedor.

Aquele “tu tu” estava me deixando eufórica, no entando o “tu tu” foi interrompido pela exata voz que eu esperava ouvir, dizendo cautelosamente: -Alô?

Respondi,um pouco menos eufórica – Amor?

O seu tom cauteloso deu lugar a um tom timido e falou – Tudo bem amor?

Respondi, com um ar empolgado,pois eu realmente me sentia muito bem e era pra isso que estava ligando. – Tudo sim,tudo ótimo amor!  Então…
Da forma mais delicada que pode, ele me interrompeu.

– A sala está cheia, tem como você me ligar daqui a 20 minutos? quero privacidade pra conversar com você.

– Ok – havia um ar de decepção em minha foz.

– Eu te amo. – sussurou para que as pessoas na sala não ouvissem e perguntassem coisas constrangedoras.

– Eu te amo amor, pra sempre. – Disse num tom dócil e pude ouvir um suspiro discreto do outro lado do telefone.

Desligamos o telefone quase simultaneamente.

Sai do banheiro e minha amiga já estava me esperando na mesinha do mercado, para comermos.

Comemos em um silêncio intenso, tudo o que eu queria era poder falar pra ela dele, mas ela nunca foi de minha completa confiança, é companhia, mas nunca confidenciava nada com ela.

Havia se passado 15 minutos, e eu pensava na forma de ir no banheiro de novo, pois ela iria pensar que eu estava com o intestino solto ou algo do tipo, e eu realmente não quero que ela pense isso.

Tentava arrumar um motivo, mas a única coisa que eu tinha em mente era aquele ” Eu te amo ” cautelosamente dito.

Precisava ir pro banheiro naquele momento, rapidamente pensei em simular um enjoo,e foi exatamente o que eu fiz, me levantei e disse que não estava me sentindo bem,ela se ofereceu pra ir comigo, ignorei e fui sozinha.

Peguei o telefone da forma mais rápida que havia tirado algo da bolsa na minha vida, cliquei no “Redial” e dessa vez estava mais calma, pois sabia que não corria risco de outra pessoa atender, pois ele estava esperando pelo telefonema.

Ele atendeu e antes que eu respondesse o “alô” de cordialidade, ele disse num tom que expressava afeto. – Alô,tudo bem amor?

Mesmo que ele sempre me tratasse de tal forma, eu sempre derretia ao ouvir, e tentava disfarçar,mas ele sabia como eu ficava.

Respondi num tom mais doce do que o que já era ao falar com ele:

– Tudo sim, e com você amor? Hoje eu acordei tão feliz e não consigo entender…

– Porque nao consegue entender? – disse curiosamente.

– Como eu posso estar feliz, se você não está comigo? – E aquilo soou mais como uma declaração, do que um desabafo, o que realmente não era a minha intenção.

– Como eu quero te ver, como eu quero você aqui, e eu sei o exato motivo de sua felicidade, pois eu também estou feliz.

– Como sabe?  – Aquilo havia me intrigado.

– Eu te amo, só pra constar. – permaneceu sem responder minha pergunta, mas ele sabia que falando isso, iria me desconsertar-se um pouco.

Respondi com a forma sincera que poderia.

– Eu te amo, muito mesmo! Mas, me diz,como sabe o motivo da minha felicidade? ou melhor, da nossa felicidade.

– É simples meu amor, apenas me responda uma coisa antes, você tem certeza absoluta, quando digo absoluta, é absoluta mesmo, do que sentimos um pelo outro? – sua voz estava em um tom que eu não consegui decifrar.

– É claro que eu tenho, você me ama, e eu te amo, apenas isso basta. – desabafei.

– É essa a razão de nossa felicidade. – respondeu.

ainda sem entender perfeitamente, refiz minha pergunta

– Me explique melhor. – exigi.

– Simples, a certeza de que sentimos, o fato que você existe e existe pra mim, e eu existo pra você, e você sabe disso, é essa a razão de estarmos felizes, a certeza, a visão de um amor pra vida inteira.

Estava simplesmente sem palavras, pois nada que eu falasse iria expressar a eurofia que corria dentro de mim, meu olho se enxeu de água, eu queria poder abraçá-lo naquele exato momento.

O silêncio se quebrou e eu disse

– Eu te amo, e talves seja a melhor coisa a dizer, quando me fogem as palavras. Obrigada por tudo, meu amor.

Antes que ele falasse algo, eu falei de novo, mantendo o tom dócil.

– Mas como você pode saber das coisas sobre mim, antes se quer de eu mesma saber? – precisava saber isso.

Ele respondeu, sem exitar:

–      O amor é. Ele simplesmente é.

Entende-lo é apenas uma forma de ter certeza que ele existe.

Continuei impressionada, com tal capacidade de me fazer perder a fala.

Sem saber o que falar, lhe respondi:

–      O amor não precisa ser entendido, muito menos explicados em palavras, talves atitudes sejam mais importantes, e eu realmente te amo, a ponto de não querer explicação, e nem motivo. Eu simplesmente te amo, porquê o amor é, ele apenas é.

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