Escrever sobre o que me faz escrever. Nada racional da minha parte.

Eu escrevo sobre solidão, quando o que eu queria era companhia. Eu escrevo sobre falta de amor, quando dentro de mim, ele explodi nas horas mais inadequadas.  Eu escrevo sobre esperança, mas estou sempre me iludindo. Eu escrevo sobre presença, quando o que vejo é a distância. É exatamente isso, eu escrevo sobre tudo aquilo que me falta. Eu escrevo sobre tudo aquilo que eu não conheço, sobre aquilo que eu quero conhecer, eu escrevo sobre tristeza, quando o que queria, era escrever, nem que fosse uma frase, que transparecesse alegria. Eu sou assim mesmo, escrevo o que falta na minha vida, escrevo sobre você, e se quer posso citar seu nome.

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Entre o algo e o alguém.

Esses dias estava pensando e como tudo que penso, resulta em textos, cá estou novamente. Dentre as infinitas coisas que passeiam pela minha mente, cheguei a conclusão que eu estou em abstinência de vida. Pois há muito tempo, eu não sinto que estou vivendo, é como se eu estivesse apenas passando o tempo, como se fosse um um ponteiro, no qual a única função é transformar Domingos em Segundas-feiras, manhãs em tardes e tardes em noites. Não peço a ninguém que compreenda, pois se eu não compreendo o que eu mesma penso, não hei de exigir isso de ninguém. É que as vezes, eu me sinto como se eu fosse “algo” e não “alguém”, porque o algo é substuivel, o algo se torna antiquado, o algo é trocado por algo mais moderno e já o “alguém”, o alguém pode mudar a vida de um outro alguém, o algo, é como eu me sinto, e eu só queria ser alguém.

Sobre tudo que eu queria lembrar…

Escrever sobre amor anda se tornando algo enjoativo, repetitivo…Quase insuportável. E não é por não acreditar no amor, é por muitas vezes, por insistir em acreditar e não ver nada mudar. Eu sento, observo, escrevo, penso e espero…Espero pelo dia que eu não precisarei mais esperar. E enquanto esse dia não chega, eu bebo, fumo e sorrio. Porque sorrir fora do meu estado normal,  me parece mais fácil.  E então, de ressaca, volto a escrever. E isso vem se repetindo frequentemente na minha vida, e olha, está cansando já. Por isso que eu repito, está cada vez mais difícil escrever sobre amor, é como se o amor fosse uma memória da minha infância, que conforme o tempo passa, vai se apagando e eu não consigo me lembrar mais dos detalhes, de como é, exatamente, lembrando apenas do que aconteceu, vagamente. Eu me sinto como se estivesse esquecendo o que é o amor, o que por final das contas, eu considero normal, é difícil se lembrar de algo que há anos, não sei o que é…. Se é que eu já soube o que é. Mas enquanto as memórias desaparecem, eu fumo um cigarro, sento, e espero.

Até o meu coração não bater mais.

Talvez ninguém seja capaz de entender, talvez nem eu mesma seja.  É engraçado o poder que alguém pode exercer na gente.  Chuva, frio… são coisas tão insignificantes quando se trata de algo que só te faz bem. Alguém que talvez, nunca saiba o real significado que um abraço, apenas, tem.  Se passaram tantos meses, e aquele frio na barriga, só tende a aumentar. Eu as vezes queria que você soubesse que quando me falta força, quando me falta motivação, é na tua voz que eu encontro paz, e quando te vejo, o teu abraço, é então, o meu refugio… Sei que nunca irei lhe falar metade de tudo que escrevo diariamente e você nem imaginaria que é pra você, por você, inspirado em você. Pois é exatamente essa função que você exerce em mim, você me inspira, e se hoje eu acredito em sonho, foi porque eu te vi e realizei-o. Pessoas passaram pela minha vida, irei ler e ouvir muitas coisas ao decorrer do tempo, mas algumas coisas se eternizam, mudam não só a tua vida, mudam também o que você é, e eu posso dizer que,  indiretamente, você me transformou em alguém melhor.

O meu eu-racional passou bem longe de mim, dessa vez.

É engraçado como a maioria dos textos que eu leio falam sobre amor, e dentre esses textos grande parte deles são sobre amores não correspondidos, amores que tiveram fim, supostos amores.  É estranho pensar que as pessoas tem mais facilidade em colocar em textos, tudo aquilo que na vida real é trágico, acredito na tese que, quanto maior o problema, maior é a necessidade de expressá-lo. Mas, já eu, tenho dificuldade em falar, lido melhor com o escrito,  o que de fato, não me agrada. Eu queria falar tudo que eu tenho pra falar, queria mostrar ao mundo, que apesar de tudo, eu ainda acredito no amor, ainda acredito que existe alguém que vai curar todas minhas feridas, acredito que independente de onde esteja, se está ao meu alcance ou não, um dia vai ser meu. Por mais que as coisas possam parecer impossíveis, por mais que os planos dêem errados, eu me recuso a pensar que alguém tenha nascido pra sofrer.

Quem é julgado fraco, é por muitas vezes, mais forte que muitos.

São tantas idas e vindas, pessoas entram na sua vida como quem não quer nada e algumas delas podem se tornar o mundo pra você, e sem pedir licença, elas saem do seu mundo, deixam de ser o seu mundo. Deveria ser proíbido ser importante para alguém que não possa retribuir tal carinho. É mais uma injustiça, das muitas que essa tal de vida comete com a gente. Pessoas procuram conforto em cigarros…café, esses antidotos anti-sofrimento, que não lhe servem de nada. O problema é que estamos cansados de saber, que o que queremos é sempre alguém e não algo. Aprendi dentre essas injustiças que a vida comete, que os conselhos que damos aos outros, é apenas tudo que queriamos fazer e somos fracos para tal coisa. Ser fraco não é, exatamente, vergonhoso. As vezes é melhor ser fraco e não se arriscar a algo, do que tomar uma surra da vida. Se dizer forte é a forma que as pessoas que são realmente fracas, utilizam como “escudo”. Ser forte, na minha opinião, não é sentir dor, ser forte é saber sofrer em silêncio, é não permitir que a tua dor abale a estrutura firme que aqueles que gostamos, custaram a conseguir construir. Por isso que eu digo, essa vida é mesmo relativa, pois, como citei antes, outra coisa que essa brecha de vida me ensinou a não criar expetativas em vão, pois a proporção da tua queda, é a mesma que a da tua expectativa, quando não concretizada. É por isso que eu digo, essa vida é mesmo injusta, mas não sempre, pois por pior que seja, sempre há uma lição a ser tirada de toda essa brecha que chamamos de vida.