Auto-explicação.

Eu que costumava saber exatamente o que iria escrever, sabia dizer o que eu estava sentindo, hoje me vejo eu uma auto-contradição. Acredito que quanto mais nos afastamos de algo, maior é a vontade de tê-lo por perto, é mais ou menos assim que funciona esse tal de amor, afinal, quantas vezes eu reneguei-o, afirmei e jurei de pés juntos que era feliz sem ele, e menti. A verdade é que tudo que eu queria era acordar sabendo que isso seria de fato, relevante pra alguém. Queria ter alguém que, por mais clichê que fosse, visse horários iguais e me dissesse que estava pensando em mim, para que eu respondesse “não preciso de horas iguais pra pensar em você” e saber que esse alguém sorriria com isso. Não é que eu seja completamente sozinha, as vezes eu até ouço algo que me arranque um sorriso, mas eu quero alguém pra poder dizer que essa pessoa é minha, um “amor” pra escrever após cada “meu”, eu queria uma eternidade, ainda que não fosse de fato, eterna, mas me faria sentir como se fosse. Eu queria algo que mesmo que terminasse, não tivesse um fim, eu queria uma história de amor, eu queria acordar e ter alguém ao meu lado, que me achasse bonita sem um lápis de olho se quer, com cara de sono e o cabelo bagunçado. Isso era tudo o que eu queria.

Anúncios

Auto-destruição involuntária.

Me parece contraditório o amor que não acaba, acabar conosco, tal como o amor que nos faz sorrir, é o mesmo que nos derruba. A verdade é que construímos um sentimento com a capacidade de nos destruir. Frequentemente, vejo pessoas falando de amor e eu vejo um brilho em seus olhos, que nunca encontrei nos meus, eu vejo esse sentimento as fazendo bem, como nunca fez a mim. O amor que eu conheço, é um amor destrutivo, degradador.  E quando vejo sonhos alheios se realizando, amores se concretizando, enquanto eu permaneço aqui, assistindo a tudo isso, sem ver algum lapso de mudança na minha vida, algo pra me convencer que o problema não está em mim. É como se alguma força maior quisesse me privar de ser feliz e por muitas vezes, conseguindo. Mas no fundo, eu acredito que tudo isso um dia irá mudar, um dia, não hoje.

Coexistência.

Por anos, eu imaginei o dia que eu viria aqui e escreveria o que hoje escrevo, e realmente esperei muito por isso. Honestamente, eu tive medo que esse dia nunca chegasse, que eu ficaria presa no passado por longos e árduos anos, e hoje estou aqui, e pela primeira vez, escrevo sobre você sem a menor pretensão de escrever algo que vá te agradar.  Agora, eu finalmente vejo você desaparecendo do meu pensamento, do meu sub-consciente.  E o que pra mim era um sentimento infinito, hoje vejo-o evaporar, ficando cada vez mais distante; não que eu não o enxergue, mas enxergo cada vez mais desfocado, mais distante. É, no entanto, de grande alivio me desprender de você. Por muitos anos você coexistiu em mim, eis que finalmente, eu aprendi a existir sozinha.