Afeto ou descaso.

Recentemente me lembrei das vezes que um turbilhão de sentimentos, bons e ruins, me agitavam ou me derrubavam, porém, estavam lá. Eis que eu olhei pra dentro de mim e não os encontrei lá, nem bons, nem ruins, está cada vez mais vazio, e o pior, sem ninguém pra preencher. E esse vazio dói.

Eventualmente, eu sinto falta de sentimentos, ainda que não recíprocos, pois ao menos assim eu sabia que ainda estava apta a sentimentos intensos, e agora, eu me vejo com um medo, medo de entregar afeto e ser retribuída com descaso. 

É como eu li um dia ” – Por medo das partidas, tem gente que não deixa ninguém chegar.” E é bem por aí mesmo. Tenho medo de partidas pelo motivo que elas sempre aconteceram após cada chegada. E essas partidas que não vem acompanhadas se quer de um “tchau” ou um “se cuida”, apenas partem, partem da sua vida, partem a sua vida. 

Pode parecer egoísmo de minha parte, pode até ser, mas as vezes, eu queria que as pessoas a minha volta parecessem um pouco menos felizes, pra não me fazer acreditar que o problema está em mim, que eu sou o problema. Não desejo a infelicidade de ninguém, mas não parece injusto ver os outros felizes e não conseguir sentir o mesmo? Tudo que eu queria era saber como essas pessoas se sentem, qual a sensação de ter uma pessoa pra chamar de “tua”, mas eu não sei.

De tantos sentimentos que eu poderia ter no peito, o único que eu tenho claramente é a carência, que eu não sei nem se é um sentimento ou a falta dele. Eu só queria ser feliz, só isso. Só queria sentir coisas boas, queria alguém que chegasse e não partisse. Só queria que chegasse a madrugada e eu não tivesse esses olhos cheios d’água a ponto de não conseguir nem dormir e em vez disso, estou escrevendo sobre coisas que provavelmente, não são do interesse de ninguém, mas eu tenho essa mania de querer escrever tudo, até o que não tem como ser escrito, mas eu quero mesmo assim, pra ver se arranca tudo isso de dentro de mim de uma vez, mas nunca dá certo.

Já que é assim, só lhe peço uma coisa, por favor, me devolva a capacidade que eu tinha de sentir sem medo, de apenas sentir.                         

“E ao anoitecer, em vão eu tento encontrar o que de mim você levou pra sempre…pra sempre”.  

Pra sempre.

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(…) Mas eu nasci sem muros.

“- Uma xícara de café, morfina e uma dose de anti-depressivo, por favor!”
Disse dentro da minha cabeça. Pensei em falar alto, mas lembrei-me que ninguém escutaria. Já havia tentado isso antes.
Eu poderia encostar a cabeça no meu travesseiro, tomar alguns remédio que me dessem sono e deitar. Mas eu preciso colocar pra fora isso, de alguma forma.
Dói colocar meus sentimentos em uma página em branco e escrever, escrever e escrever e não conseguir um verso feliz, se quer.
Sabe, eu sinto saudade, uma saudade de um tamanho incalculável de mim. De quem eu já fui um dia da pessoa que acreditava, que sorria, que não tinha medo.
Tudo seria bem mais fácil se eu não me importasse, se eu agisse da mesma forma que agem comigo, se eu me desapegasse, se eu esquecesse, me libertasse. Porém, o que me conforta é saber que se nada é pra sempre, isso deve valer tanto pra sentimentos bons, quanto pra ruins. Ou seja, vai passar…um dia, passa.