Conforto.

“Eu não preciso de ninguém, o amor não existe.”
É fácil dizer isso, sabendo que não concordamos com nada dito ali. A gente diz esse tipo de coisa pra parecer forte, e fraqueja ao perceber que é tudo mentira. A gente precisa de um outro ombro pra carregar o peso da vida, quando não aguentamos mais e paramos pra descansar.
E se o amor não existe, o motivo do sofrimento de tantos seria algo…inexistente? Não pode ser, é mentira, tem que ser mentira, o amor existe sim, tem que existir, e se não existir, eu o invento, porque o silêncio da solidão faz uma guerra dentro de mim, e eu quero um pouco de paz.
A gente precisa de um ombro pra encostar a cabeça, quando o travesseiro não oferecer mais o conforto que precisamos. E então a gente sai a busca com a cara e a coragem – coragem que por vezes acabei esquecendo em casa – e procura por esse ombro, mas a busca é difícil, é árdua, o caminho parece interminável e nos faz querer desistir. E a gente tenta desistir, tenta diariamente, fala, repete milhares de vezes dentro do nosso cérebro “- Eu não preciso de ninguém, o amor não existe”, mas aí secamos os olhos, levantamos, e vamos lá, novamente, a procura de algo que nem sabemos ao certo o que é, mas faz falta. Aquele vazio ocupa espaço.
Gostaria eu, poder terminar esse texto dizendo pra vocês que eu encontrei o que eu procurava, e que eu não carrego mais esse peso todo apenas em meus ombros, mas seria mentira, mas não desistir já é um passo pra seguir a busca, o resto não cabe mais a mim.

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