Livrai-nos de todo mal, amém.

A gente levanta da cama, liga a TV, se depara com uma tragédia de proporções inimagináveis, e aí sim, a gente acorda de verdade. Acorda e vê que a nossa vida é frágil e que o amanhã é incerto. É um daqueles choques de realidade que faz a gente pensar o quanto somos pequenos perto do mundo, e que a gente acha que sabe tanto, mas não sabemos de nada. Não sabemos como vai ser o dia de amanhã, não sabemos se a vez que vimos alguém, se será a última, não sabemos se aquele “tchau” rotineiro será o ultimo. A gente tem consciência que o futuro não cabe a nós, mas, talvez por medo, a gente finge que sabe de alguma coisa, e que alguma coisa tá em nossas mãos. A gente acorda e vai dormir sem se dar conta do quanto isso é grandioso, e só lembra de Deus quando é pra pedir alguma coisa, a gente pede demais e agradece de menos. E quando a gente se depara com uma tragédia de grandes dimensões, a gente pensa “e se fosse um amigo meu que tivesse falecido? um parente? e se fosse eu?” e então a gente percebe que nós somos vencedores, nós temos sorte, nós temos tanto a agradecer, mas a gente sempre encontra um motivo pra reclamar de umas coisas tão pequenas, tão…nada.

Já vi noticiários de muitas tragédias que me abalaram, mas nada como a de hoje, em Santa Maria. Talvez porque eu consegui me ver entre aqueles jovens, lugares semelhantes aos que eu costumo frequentar, pessoas da minha idade, é algo tão distante de mim, mas parece tão “próximo”, tão real e ao mesmo tempo parece não passa de um filme de terror, e quando eu desligar a TV, não terá mais tragédias e a vida de todo ali mundo continuará. 

Fica aqui a minha singela homenagem as vítimas de tal tragédia, e aos pais e amigos das vítimas, seus filhos ou amigos estão olhando por vocês, do lado de Deus. Força.

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Parasita.

Eu já desisti milhares de vezes. E por milhares de vezes eu quis tentar pela última vez. E já perdi a conta de quantas últimas vezes eu tentei de novo, e quantas vezes, eu me senti uma completa idiota, no fim de tudo. E tudo que eu lhe pedi foi pra não partir…de novo. Mas pedir algo, sabendo que é um erro, e ainda assim pedir, é uma forma de masoquismo, o masoquismo sentimental. 

As palavras não fazem mais o sentido que costumavam fazer, eu não sei me expressar como eu já soube. Ou eu desaprendi ou a vida não me dá motivo de bons textos, nem que sejam aqueles mais sofridos. Não acontece nada. Nada de bom, nada de ruim. E isso acaba sendo algo ruim. A monotonia me enjoa. E aí eu me vejo, fazendo esse pedido estupido de querer que você fique na minha vida. É quase pedir, de uma forma metafórica, pra sofrer. E o pior de tudo é que eu sei disso. Mas é só um momento, é só a carência da madrugada, que vai embora a cada nascer do sol, e volta, quando o sol se vai. Eu queria conseguir me entender um pouco mais.

Não tá certo isso, não tá nada certo. É errado se acostumar com a solidão, não se pode acomodar a tristeza no coração como se lá fosse a casa dela, e não é. A gente tenta expulsar ela dali, e ela reage como se tivéssemos a oferecido um café e pedido pra ficar mais um pouco. 

Pode sair, solidão. Pode parar de parasitar o meu coração e fazer dele a tua moradia, vá embora, por favor, e leve toda essa mágoa acumulada, junto com você, por favor.