Monologando.

E que saudade é essa, que vem, desenfreada, sem pedir licença, empurrando tudo que tem pela frente? 

E esse medo que trancafia o pouco de coragem que me resta e joga as chaves fora? 

E esse sentimento, que eu nem sei mais como chamar? Se quer sei onde devo colocá-lo.

E você, que passeia pela minha vida e sai quando bem entende? Não sei porque isso ainda me surpreende.

E se eu precisar de um abrigo que seja mais que um ombro amigo?

E se, por acaso, você aparecesse por aqui e respondesse minhas perguntas? E se você viesse pra ficar?

E se eu voltasse a acreditar mais e duvidar menos? E se houvessem mais comemorações do que lamentos?

E se você ousasse me amar? 

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O bar.

Você chegou, você se foi, você sumiu.
E eu fiquei no terminal, esperando o ônibus chegar, vai que você tava lá.
O ônibus passou, o dia acabou, e nada.
Eu só queria te reencontrar por aí, num dia qualquer, pra rirmos durante a madrugada inteira, na mesa de um bar.
Eu esperei, pedi ao tempo pra que ele passasse mais rápido, pra que o momento que você apareceria na minha porta, chegasse mais depressa.
E então, você passou por aqui, mas o tempo passou. O tempo não para, você também não parou.
E eu voltei pra’quele bar, pedi algo forte, e fiquei ali. A noite acabou, o dia clareou e nada, nada de você aparecer ali, tomar o copo da minha mão e falar ” – Você bebeu demais, deixa que eu te levo pra casa.”
E eu me perguntava: E agora? Será que você volta?
Mas não voltou. Faz uma semana que o dia não clareou.
“Eu vou suportar” “Já suportei tanta coisa” – Repeti isso centenas de vezes na minha cabeça.
E eu realmente superaria e sabia disso. Mas o que me preocupava era quando isso aconteceria. Como eu ia ficar até esse dia chegar? Como eu voltarei naquele bar? Quem vai me levar pra casa quando eu beber demais? Parecia que ninguém nesse mundo poderia fazer essas coisas no seu lugar. Tava errado, não deveria ser assim.
Quando, num desses Domingos que a gente não quer fazer nada, você me ligou. E o coração disparou.
Atendi o telefone, tentando ao máximo agir naturalmente e tentando não pensar que você sabia identificar meus sinais de nervosismo.
Você falou: “- Te liguei porque me preocupei com você, na noite passada, fui naquele bar que a gente ia todo sábado e não te encontrei. Fui te buscar pra te levar pra casa, e como não te vi, pensei em como você teria voltado pra casa, se alguém teria te levado.”
Eu, naquele momento, poderia responder milhares de coisas, poderia perguntar o porque você sumiu, poderia dizer que essa semana pareceu uma década, pareceu que nunca ia ter fim, poderia te dizer apenas que eu não havia ido ao bar. Mas eu apenas disse: ” – Eu não iria naquele bar sem a certeza de que você me levaria pra casa. Eu sou fraca com a bebida, não iria sozinha, e não voltaria pra casa com outra pessoa.”
Te convidei pra tomar um café, pra gente conversar sobre essa semana que parecia interminável.
E então, depois do café, dormi na sua casa, na cama que parecia mais “minha” do que a da minha casa.
E por fim, uma semana depois, o dia resolveu clarear de novo.