Adeus.

Oi, como vai? 

Vim aqui só pra te dizer que eu já te disse o bastante.

Vim te lembrar de como foi bom te esquecer.

Vim dizer que não quero mais te ver.

O que você anda fazendo?

Só queria dizer que eu ando fazendo tudo aquilo que a gente não fazia, sabe? Eu ando estando bem.

Eu vim te avisar que essa é a última vez que eu passo por aqui.

Eu vim te mostrar que eu fiquei bem melhor sem você.

Eu vim te provar que eu não preciso te provar nada.

Eu vim aqui pra dizer que eu estou indo.

Eu vim aqui pra dizer que eu posso nunca mais voltar.

Eu vim até aqui pra ver se, quem sabe, você não vem comigo.

Eu vim aqui me despedir.

Eu vim pra te dizer que eu já fui embora.

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Pelo telefone.

A – Alô?

B- Alô.

A – Como você tá?

B – Já estive melhor, mas já estive pior.

A – Mas como você tá?

B – Tô por aí.

A – Mas bem?

B – Bem perdida.

A – Por onde andou todo esse tempo?

B – Em todos os lugares que você não estava.

A – Porque me evita tanto?

B – Não é a você que eu evito, eu evito as consequências de te ver de novo.

A – Eu não te entendo.

B – Pra variar.

A – Você disse que iria ficar bem.

B – E é nisso que eu ando trabalhando.

A – Mas eu achei que você não iria desaparecer.

B – E eu achei que você saberia.

A – O que?

B – Que sempre foi mais fácil pra você. Você sempre superou melhor as coisas, você me superou melhor.

A – Não tão bem assim.

B – E nem tão mal assim.

A – Ah, esquece.

B – Eu tô tentando, eu juro.

A – Eu nunca quis que terminasse desse jeito.

B – Eu não queria que terminasse de jeito nenhum.

A – Me desculpa.

B – Já desculpei.

A – Então está tudo bem?

B – Por favor…não.

A – Mas você não disse que desculpou?

B – E desculpei, mas desculpar não significa que está tudo bem, é só que como eu já te disse, eu já estive pior.

A – Você não merece se sentir assim.

B – Pensasse nisso antes.

A – No que?

B – Em mim, em como eu me sentiria, eu como eu me sinto, em como eu tento não me sentir.

A – O que você quer queria eu fizesse?

B – O de sempre.

A – O que?

B – Fingir que me amava.

A – E eu amava.

B – Se amava, não era amor. Você no máximo gostou de mim. Amor é mais que isso.

A – E o que você tanto sabe sobre amor?

B – O bastante.

A – E o que é o bastante pra você?

B – O amor deveria ser o bastante. O amor deveria ser amor. Se não sabe do que se trata, não fale sobre.

A – Mas era amor.

B – Se era amor, não era.

A – Você não me entende. 

B – Coincidência. 

A – Desisto!

B – Você sempre desiste. Quando você não encontra resposta, desiste.

A – Eu juro que eu tentei.

B – Eu amei, eu tentei, eu achei…se decide, porra! Sai de cima do muro.

A – Eu estou tentando.

B – Tentando o que?

A – Te convencer de uma coisa.

B – De que?

A – De que eu sinto a sua falta.

B – Sentia, né? Já que todo verbo pra você é conjugado no passado. 

A – Mas eu estou aqui agora, não estou? Te falando, no presente, que eu menti pra você sim. Menti quando disse que eu te amei, quando disse que eu pensei, quando eu disse que eu achei. Eu te amo, eu penso, e eu sei. E está tudo aqui agora.

B – E porque eu deveria acreditar agora?

A – Porque eu não acho, eu tenho certeza, Eu não penso, eu estou te falando, e eu não sentia, eu sinto. E eu não gostava de você, eu te amava, perdão…eu te amo.

B – E porque não me fala tudo isso pessoalmente e não pelo telefone?

A – Porque a música na tua casa está muito alta e você não ouviu quando eu toquei a campainha. 

B – Eu não o que falar pra você ao abrir a porta.

A – Não fale nada. Só me escuta.

B – Espera aí.

A – Te amo.

B – Espera mais um pouco e diz na minha frente.

A – Desliga o telefone e abre essa porta antes que eu perca a coragem, por favor.

B – Tudo bem.

Tu…tu…tu…tu…tu.