Lar.

Eu confesso, eu não aguento mais essa ausência, esse espaço pra dois onde tem só um, e é claro, sou eu, sempre sou eu.

O vazio do abraço, do lado esquerdo da cama, do caderno, das palavras, da presença.

Fica aqui, pelo menos essa noite, e a próxima, e a próxima também.

Eu não me sinto sozinha, eu sou sozinha. Mesmo cercada de pessoas ao redor, continuo sozinha, conhecendo um cara aqui e outro ali, mas ninguém pra estar lá, preenchendo a ausência. Presença momentânea não me satisfaz.

As pessoas entram na minha vida como turistas, visitantes, com data pra ir embora, passaporte de volta na carteira já, e eu, o ponto turístico que, de primeira é interessante, mas depois, no dia-a-dia, vira rotina, passa despercebido.

Eu quero ser o lar, que, mesmo indo pra lugares mais bonitos, com estética mais agradável, te dão saudade do lar, mesmo sendo mais simples, menos atraentes, mas o lar é o teu lugar, e o ponto turístico não. Quero alguém que seja o meu lar-doce-lar, que me dê vontade de fugir, de sair correndo, mas que, quando eu voltar a sã consciência, me dê conta que o meu lugar é ali, e voltar. 

Eu quero ser o lar de alguém que seja o meu lar. Eu quero que sejamos um lar só. Lar-doce-nosso-lar. 

 

 

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