Por perto.

Há um tempo atrás, ao perguntarem “Você gosta de alguém?”, eu afirmava que não sem pensar duas vezes, eu estava bem sozinha, eu não sentia nada por ninguém, porque tudo isso era uma grande idiotice que as pessoas inventaram pra tentar ser feliz ou ter à quem culpar por sua tristeza. Hoje eu não sei se eu resolvi procurar alguém pra culpar ou pra ter sobre o que escrever. 

Deveria ser de total obrigatoriedade a reciprocidade do que a gente sente, mas não é bem assim. E o pior que sentir algo, é não ter motivo nenhum aparente pra não sentir, mas a falta de reciprocidade por si só deveria bastar. Mas não existe nada nele que me consiga sentir raiva, repulsa ou qualquer sentimento “afastador”, não existe nada lá que não me faça querer estar por perto, mesmo que em silêncio, só vendo a capacidade que esse cara tem de iluminar um ambiente por simplesmente estar nele.

E eu achei que eu poderia ter esse brilho como exclusividade minha. Não, eu não pude. Mas eu gosto de observar mesmo assim. Gosto de ver o quão as pessoas ao redor o observam (não-tão-bem-como-eu), gosto de conversar sobre qualquer coisa só pra estar-conversando-com-ele, gosto à tal ponto que prefiro ser uma amiga do que cogitar não ser nada..Porra! Eu gosto dele, por mais pré-adolescente que eu me sinta escrevendo isso. 

(O meu eterno quinze anos que se manifestou nesse texto. Meu eu-de-quase-vinte-e-um-anos não tá sabendo se expressar recentemente. Todo mundo é um pouco pré-adolescente quando se trata de falar de sentimentos, eu acho.)

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Sobre expectativas e etc

E lá vamos nós de novo. Nós, quem? Lá vou eu de novo. Como sempre, não existe nós. 

Eu achei que estava imune a esse sentimentalismo todo, a essa expectativa frustrada, mas certas coisas a gente pensa que aprendeu, mas na verdade só passamos um bom tempo sem vivê-las, mas elas voltam. E voltam em forma de vazio. E lá vou eu bater na mesma tecla: O vazio ocupa espaço SIM, e eu irei falar isso até ter algo que preencha esse vazio com presença. E eu achei que dessa vez eu teria algo. Eu realmente achei. Mas eu não tenho nem a quem culpar, a culpa é minha por ver mais do que realmente é nas coisas, nas palavras, nas pessoas. Eu acreditei em que, se ninguém me prometeu nada? Acreditei na minha expectativa e eu já deveria ter aprendido que se tem uma coisa que não dá certo, é criar expectativa. 

A culpa é minha. Ninguém me prometeu absolutamente nada. Eu imaginei tudo. No fundo, uma parte de mim vive um eterno 15 anos que acha que algo vai dar certo antes mesmo de dar errado, não deu em nada. 

E esse “não dar em nada” muitas vezes incomoda mais do que se desse errado, QUE DESSE ERRADO, MAS DESSE EM ALGO! 

E o pior de tudo é saber que poderia ter dado em algo, poderia ter sido, poderia continuar sendo, mas não foi, e a culpa não é minha, nem tua.

A culpa é dela, que atua, em vez de ser tua. 

Sozinha / só vinha.

Sozinha. Só vinha.

Pensando no que poderia ser e não é, no que é e não precisava ser, no que foi um dia, e no que será. 

Em quem está lá, e em quem já se foi, em quem chegará, em quem ficará.

Mas ela não sabe de nada ainda, mal sabe ela que a gente planeja pelos outros, planeja que ficaram simplesmente porque queremos que fiquem, sem nem pensar se eles querem ficar. 

A gente vai embora sem nem pensar se querem que fiquemos, sem olhar pra trás, sem arrependimento. A gente simplesmente vai.

E eles podem passar por nós, quem sabe? Ninguém pode só ir / ir só.

Alguém precisa andar com a gente, mas quem iria querer andar com alguém que não sabe aonde ir? Tem tanta gente perdida por aí. Deve haver alguém perdido por aqui.

Se perde no caminho, se encontra comigo.