Iceberg

Esses dias eu li em um livro a seguinte frase: “Porque sentimentos nos deixam mais vulneráveis que uma fina camada de gelo, e eu sempre gostei de ser iceberg.”
Frase a qual eu li e re-li e pensei no quanto estava difícil ser o iceberg, sempre firme e forte, imponente.
Eu sempre gostei da segurança de não precisar de ninguém além de mim mesma, de me bastar e ser minha única companhia, é bom se sentir forte, mas o problema é que eu sempre quis ter alguém e admitir isso é difícil, eu nunca me bastei, mas eu sempre tentei e agi de forma que todo mundo ao redor, ao menos aqueles que não me conhecessem tão bem, pensassem que eu realmente estou bem, sozinha. Eu realmente estou, mas sem uma vírgula separando o “bem” do “sozinha”, eu estou bem sozinha mesmo.
Eu esqueci que em tempos de aquecimento global até o maior dos icebergs pode derreter, e era eu esse iceberg, pelo menos era o que eu mostrava ser.
“eu não quero ninguém, eu to bem assim”
Sempre disse frases do tipo, mas a mentira cansa até a aquele que mente.
Posso admitir uma coisa? No fundo eu não passo de uma dessas mulherzinhas que ouvem uma música bonitinha e ficam se perguntando quando aquilo vai fazer sentido na sua vida, sabe?
E digo mais, esse “iceberg” pode derreter com um “boa noite” ou qualquer coisa do gênero.
E eu acho que vocês já perceberam que o iceberg não existe, eu só sou uma alma perdida que fica aqui esperando alguma outra alma perdida me encontrando por aí, aparece logo, por favor, que o iceberg já derreteu faz tempo.

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Insônia

Sei de nada, não, moço! Só sei de uma coisa, que eu já cansei de repetir aqui: o vazio ocupa espaço. O cansaço afunda o barco. Presença não é estar no mesmo espaço.

Sei também que quem se ausenta, vira lembrança, e a lembrança vira nostalgia, e um dia parece que tudo aquilo nem existia. Vira passado, créditos de um filme, última página do livro, os minutos antes da gente dormir, últimos minutos acordados. O amor vira saudade, a paixão, vaidade.
À noite vira dia, o dia vira contagem regressiva pra deitar a cabeça no travesseiro. À noite vira insônia, a insônia vira poesia, a poesia eterniza a saudade já transformada em nostalgia. É dia virando noite, eu virando pro outro lado da cama. É a insônia virando poesia.