Um brinde

Um brinde a falta e a quem peca pelo excesso.
Um brinde a quem partiu e a aqueles que nunca chegaram.
Um brinde à ela, que chegou do nada, aquela moça bonita do cabelo escuro, que se chama saudade.
Um brinde à ele, moço discreto, cigarro no bolso, o olho vermelho, sorrindo sem esforço, sempre lá por acaso, há quem diga que ele se chama abraço.
Um brinde ao abraço que mata a saudade e abraço que deixa saudade.
Um brinde aos brindes que a gente nunca realizou, a quem partiu e quem nem chegou.
Mas eu deveria saber que um brinde tem que ser feito a dois. Um brinde a quem não tem com quem brindar, um brinde a quem se foi, querendo ficar.

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