Agradecer.

Porque todo ano é assim.

Começa, a gente se enche de esperança, no fundo a gente só quer mudança que as coisas ruins fiquem no calendário passado.

A gente repete promessas não cumpridas anteriormente, porque esse ano vai ser diferente, tem que ser diferente!

Talvez nem seja, mas deixa a gente acreditar em algo.

Toda vez que eu vejo as pessoas falando que não veem a hora do ano acabar, eu fico um pouco triste, não que eu seja o tipo de pessoa otimista que só vê o lado bom das coisas, mas as pessoas não ligam pro que aconteceu de bom, pelo menos é o que parece.

São 365 dias, duvido que não se tenha nada a se agradecer em tanto tempo.

A gente conhece pessoas que ficam alguns meses, alguns anos ou a vida com a gente, você não conheceu ninguém especial esse ano? Duvido.

Não foi a nenhum show o qual saiu de alma lavada de lá?

Não ganhou nenhum presente que te deixou sem palavras?

Não ouviu pela primeira vez alguma musica que seja “MEU DEUS, MINHA MUSICA”?

Não conheceu nenhum lugar legal que nunca tinha ido antes?

A gente esquece de agradecer as coisas porque reclamar é mais confortável, mais fácil, e eu falo por mim mesma.

Costumo acreditar na ideia de que anos são ciclos que colocam algumas na nossa vida, mas em troca disso, tira o que não tá mais fazendo sentido, só ocupando espaço. A gente se agarra ao passado e a pessoas que as vezes nem querem ficar. E elas tem todo o direito.

Não acredito no papo de “ano novo, vida nova”, acredito nas energias que a mudança de ciclo trás pra gente, mas uma vida nova pode começar em Janeiro, Outubro, Março, depende da gente e não do calendário.

Contudo, agradeço aos amigos que caminharam comigo mais esse ano, os que entraram na caminhada esse ano e a tudo que eu vivi com eles, com as pessoas que eu gosto, com todos os envolvidos a alguma coisa que tenha feito diferença pra mim em 2014. Agradeço as oportunidades, aos dias que eu sai, aos shows que eu fui, aos livros que li e musicas que eu ouvi, aos amores que não foram tão amores assim, a gente sempre aprende mais com o que dá errado.

Esse é, como deu pra perceber, meu ultimo texto postado aqui esse ano.

Que 2015 traga inspiração pra eu tocar isso aqui adiante por mais um ano.

Obrigada.

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White about everything (but you)

Dessa vez que decidi que eu vou falar de mim.

Eu ando procurando por aí qualquer coisa que me tire daqui.
Eu nunca vou me cansar de falar sobre o vazio que é aqui.
Tem gente em casa, tem gente na rua, tem gente em todo canto, mas eu não tenho ninguém.

O metrô está cheio.
Pessoas lendo seus livros, ouvindo suas músicas.
O metrô lotado, a minha estação vazia.
O moço do meu lado levantou correndo, quase perdeu a estação que ia descer, deixou o seu bloco de notas cair, não conseguiu voltar pra buscar.
Por curiosidade ou instinto, me abaixei, peguei e o coloquei no colo pra ler.
Pelo visto o bloco de nota não foi a coisa mais importante que aquele moço perdera nos últimos dias.
Tinha escritos, tão bonitos, mas tristes.

Eu poderia ter escrito aquilo.

Eu escrevo sobre tudo o tempo todo, sobre tanta gente e ao mesmo tempo sobre ninguém.

Eu escrevi sobre o moço do metrô, sobre as pessoas e os seus livros, sobre estações e sobre tudo aquilo que eu inventei.

Mas os escritos eram reais.
O bloco de notas existia e toda aquela melancolia se parecia com a minha.

Lado de cá

Do lado de cá, o lado de lá;
Do vermelho que trazia paz
Ao infinito azul que se perdeu.
No horizonte o que se perdia da vista;
Era só o meu olho observando o seu;
Te perdi de vista, fiquei pra trás.

Consoantes num mar de vogais;
Palavras iguais com outros significados;
Os corpos, presentes, as almas, vagais;
Unilaterais.
Mesma ponte.
Visceralmente afi(n)ados.

Fomos desafiados.
O jogo começou;
(E eu que não sei jogar)
Jogo de azar ou sorte;
(Eu ainda não sei jogar)
Jogo de vida e morte.
(A morte é um plágio, eles me disseram)
Afinal, no final;
(Afinal, tudo tem final)
Temos tudo a perder.

Mas me diz você, se temos tudo a perder, eu, que não tenho nada, perco o que?

(Escrito em parcerial com: https://www.facebook.com/rafaelnunesdrums / http:///twitter.com/nunes_rafa)