O barco.

Por um tempo eu não tive o que escrever, resolvi experimentar a vida do lado de fora.

Eu sai pro mundo lá fora por um tempo, queria saber como estavam as coisas, as pessoas, os sentimentos tangíveis, a vida fora das palavras, mas meu coração é da poesia mais do que jamais será de qualquer outra pessoa.

Subi no barco, queria navegar por aí.

Eu tentei, de todos os jeitos que eu consegui, moldar algo da forma que eu queria que fosse, mas o que está fadado ao fim não deveria nem começar.

E dessa vez o ponto final vai ser meu.

Me acuse das ofensas mais agressivas que vierem em mente, me odeie se não conseguir evitar, mas não pense que eu não tentei.

Mas existem tentativas que só existem pra nos mostrar, nitidamente, quase que como em uma fotografia, que vai dar errado todas as vezes que se tente fazer dar certo.

A sensação inicial que vai ser diferente dessa vez, engana, a gente não conhece ninguém nessa sensação inicial e sim, quando ela acaba. A gente descobre que não consegue lidar com as verdades de outra pessoa.

Os ares de uma nova viagem dão um entusiasmo momentaneo, mas a gente não sabe qual o destino da viagem, até chegar no destino.

A gente as vezes chega em lugar nenhum.

Peço desculpa por abandonar o barco, mas os destinos são diferentes, e duas pessoas remando em sentidos opostos não saem do lugar. E eu não quero naufragar dessa vez.

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