Conexões.

Eu nunca sei o que dizer quando me perguntam de mim, porque eu sei que nada que eu queria responder corresponde ao que a pessoa quer que eu responda.

As pessoas esperam um “eu to bem e você?” mas eu quero falar da minha vida, dos meus amores e até dos meus rancores, falar de fins de tarde, contar histórias de bêbada.

Quero falar do universo e da coincidência que é, no meio ao universo, ao planeta terra, tantos países, tantas pessoas, tantas rotinas, nós estarmos no mesmo lugar pra ter essa conversa. As pessoas deveriam se questionar mais do que é estar no mesmo lugar que alguém, se tornar amigo de uma pessoa no meio de milhares, nas conexões de alma, na sintonia que a gente sente no ato, do porque existem pessoas que a gente simplesmente gosta ou não gosta só de olhar.

Eu quero falar sobre meus planos pro futuro, dos meus sonhos, das minhas frustrações, do que precisou acontecer pra hoje eu ser quem eu sou e sobre quem eu almejo ser um dia.

Eu quero sentar na calçada, beber alguma coisa e rir das pessoas na rua, cantar alto em público, eu quero a ressaca no dia seguinte.

Eu quero beijos em lugares públicos, demonstração de afeto no meio da rua.

Eu quero conversar sobre minha infância, minha banda preferida, meu filme preferido, comentar o livro que eu tô lendo.

Eu quero falar muito mais do que um “to bem e você?”

Eu quero sentir sintonia ao conversar.

Eu quero conversas reais.

Eu quero conexões, mas conexões reais, daquelas que a gente só descobre quando desliga o Wi-Fi.

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Sobre nós.

Se esse texto fosse a última coisa que eu te escreveria, eu iria te lembrar de cada coisa.

Dos Domingos preguiçosos.

Das madrugadas de Sábado.

Dos dias que a gente saiu sem planejar.

E até dos que a gente planejou e não foi.

Do pote de lembrança que a gente prometeu fazer e ler tudo no fim do ano, mas no meio do ano, eu não tenho mais o que colocar lá.

Da tarde no Parque Ibirapuera.

Do show de graça no Centro.

Das idas no shopping do nada.

De cada abraço que eu me sentia mais em casa que na minha própria casa.

De cada beijo.

De cada sexo.

De cada risada.

Cada piada interna.

Cada maratona de série.

De cada bebedeira.

De cada “te amo” de despedida.

De cada boa noite.

Das vezes que você me buscou no metrô ou no ponto de ônibus.

Muitas vezes você parece não perceber o quanto é importante e a diferença que faz no universo.

São 2016 anos desde que a humanidade se entende como humanidade, e mais sabe-se-lá quantos anos antes disso, e eu me sinto privilegiada por estar vivendo na mesma época que você.

Se esse fosse o ultimo texto que eu te escrevesse, eu diria pra gente tentar de novo, diria que não se abre mão de um amor assim, mas que eu entendo que precisa de tempo, e eu jamais negaria isso a você, mas te pediria pra pensar na grandiosidade de cada pequena coisa que viveu comigo.

Eu sei que não se supera o passado de um dia pro outro, mas a vida não para e a gente precisa seguir em frente, um dia você me disse que pretende tatuar YOLO (you only live once) e hoje eu te digo, só se vive uma vez, então vive comigo.