A colisão

A gente passa tanto tempo olhando pras pessoas que não se importam com ninguém e pensa que seria tudo mais fácil se fôssemos como elas, se a gente simplesmente não ligasse.

Mas quando a gente não liga pra ninguém, no nosso telefone nunca vai ter uma chamada perdida, uma mensagem no fim do dia, ninguém vai ligar pra gente de volta, e isso sim dói.

Dói porque, no fundo, todo mundo quer ouvir um “você não tá sozinha” e é arriscado viver o que se sente, é arriscado porque o amor é uma faca de gumes e a gente nunca sabe que lado que vai doer, mas a gente vai mesmo assim, porque o corte pode doer, mas a ideia de não ter vivido aquele fim de tarde, aquela Domingo preguiçoso, doeria muito mais. No fundo, vale o risco.

Amar é estar na linha de frente, sempre.

E a gente nunca sabe o que vai vir sentido contrário, a gente não sabe como vai ser a colisão. A gente pode se quebrar em mil pedaços ou pode se fundir ao que vier no sentido oposto ao nosso, mas o problema é que: A gente nunca sabe. A gente tá na linha de frente, sem escudos, sem colete à prova de balas, esperando pela colisão.

E então a gente colide.

A gente pode explodir e se espalhar pra todos os lados. A gente pode virar pó.

Mas se existem pessoas que afirmam que o universo surgiu por causa de uma explosão. Algumas coisas precisam ser destruídas pra que outras novas surjam.

E quem sabe, a gente se transforme em algo maior, depois de explodirmos? Quem sabe a nossa colisão não seja lembrada daqui há milhares de anos e os historiadores, cientistas e astrônomos não estudem a nossa colisão?

Eu quero ir à linha de frente, quero estar preparada pra quando você chegar no sentido contrário.

Eu quero que seja memorável, que ilumine os quatros cantos da cidade. Do universo.

Eu quero o momento da colisão

Eu quero saber o que seremos após, eu quero que a gente seja maior.

Que a gente exploda

E vire uma coisa só

E que, ao redor da gente, tudo seja pó.

 

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Eu já estive nos dois lados da moeda

Já tive o coração partido, já parti o coração de alguém

Já fui embora e já esperei pelo que não vem

E hoje eu entendo que só se sabe o que alguém sente quando sentimos o mesmo, e só quando sentimos o mesmo, descobrimos o que é empatia

A gente se coloca no lugar de quem perdeu alguém por saber o que é olhar pro lado e não ver mais ninguém ali

Não existe manual de instrução que ensine quando partir e quando ficar e não existe nenhuma palavra no dicionário que obrigue alguém a ficar.

A gente fica porque quer ficar e com quem quer ficar também, e qualquer outra forma de permanência será danosa, nó fraco hora ou outra, desmancha e nó apertado demais sufoca ao invés de confortar. Nós temos que saber calcular os nós que damos.

A gente entende quem vai embora porque já soube a hora de partir, ainda que tenha ferido alguém, com o tempo a gente entende que não se pode ficar em algum lugar por pena, por remorso, o único motivo que tem que te fazer ficar é: Vontade de ficar.

Só fique se o nó não nos partir ao meio.

Só fique se o nó não enforcar ninguém.

Só fique se quiser ficar.