eu nunca fui

já faz um tempo que eu não apareço por aqui, a vida sempre tão corrida leva embora nossa poesia, mas eu voltei.

voltei porque você voltou, e eu tenho muito pra te dizer.

voltei pra te lembrar que você não precisa ir embora quando tudo parecer difícil demais.

voltei pra te dizer que mesmo no meio desse caos, existe alguém querendo seu bem, meu bem.

eu vim te dizer que nessa batalha que a vida tem se mostrado, a gente tem que ter quem lute do nosso lado, alguém que não deixe afundar o barco.

eu voltei pra te dizer que eu nunca fui.

sobrevivi

Eu morri algumas vezes nos últimos anos, eu renasci outras.

Houveram momentos que eu não sabia se aguentaria, eu tive medo algumas vezes, outras vezes fui covarde.

Eu fui magoada e magoei também.

Eu procurei por Deus, eu pedi desculpas por não conseguir acreditar (eu juro que não foi por falta de tentar)

O mundo me empurrou, algumas horas eu só caí que eu percebi que eu precisava desse empurrão pra me dizer “levanta que o teu lugar não é aqui!”

E eu resolvi que eu não iria morrer de novo.

A gente precisa cair, ser virado do avesso milhares de vezes, ser jogado de canto, pra entender que nosso lugar é muito maior que isso.  É infinito, e cabe apenas a nós mesmos desbravar o mundo, ainda que a gente sinta que não  pertencemos a ele, é nele que estamos e é aqui que temos que dar algum significado ao nosso existir.

É difícil viver, o mundo é cruel, mas  é o único que conhecemos, então que sejamos nele a nossa melhor versão ainda que na pior versão de mundo que nos foi apresentada.

O universo é grande demais pra reservar algo grandioso pra você, destino não é nada mais do que as escolhas que fazemos e pretexto pra justificar algo que deu errado. A gente costuma achar que todas nossas conquistas são méritos nossos e nossos fracassos são conspirações, não era destino ou “não era pra ser”.

Aceitar nossos fracassos também é sinal de sucesso.

 

 

 

 

 

 

eu

Eu não sou a arte

eu sou artista

Eu não sou o poema

eu sou poetiza

Eu não sou o tormento

eu sou a calmaria

Da minha vida, eu não sou figurante

Sou protagonista.

Diário

Uma coisa que eu aprendi nessa vida é que nada é mais efêmero que o sentir, um dia tá tudo bem, no outro nem tá mais aqui

Eu não escrevo mais como outrora, eu acumulei as coisas que eu deveria ter dito antes, não agora

Mas o tempo voa, vê se não demora

Me disseram um dia que nunca se deve implorar afeto, que tudo tem que vir de peito aberto

Eu sou o diário, um rascunho incompleto completa meus versos

Me aconchega no teu peito, abafa esse eco, me deixa por perto.

sobre recomeços.

Eu sempre tive uma certa dificuldade em lidar com terminos, nunca soube como desatar o nó – e segurava a corda com tanta força que me arrancava sangue das mãos -, eu não sei encarar despedidas e sempre tive medo de recomeços.

O medo de recomeçar não deixa sair do lugar.

A gente se sabota – o tempo inteiro – pelo medo do fracasso, quando se da conta que não há maior fracasso do que o de quem não teve coragem de tentar.

A partir do momento que eu entendi isso, me dei conta de que a vida não passa de um emaranhado de pequenos ciclos, e que todo ciclo tem seu começo, meio e fim, e que é necessário fechar um ciclo pra começar outro e isso – nem sempre- é ruim.

Quando a gente se apega ao passado, perde todas as possibilidades que o presente oferece. Quem caminha olhando pra trás não enxerga o que está bem na sua frente.

Recomeços são necessários a todo momento, mas nem sempre a gente tá pronto pra entender isso.

Quando eu falo sobre recomeços, falo também sobre recomeçar um relacionamento com nós mesmos.

Nem tudo que deu errado é sua culpa e nem tudo depende de você. É normal errar.

Ser gentil consigo mesmo é revolucionário.

E quando conseguimos recomeçar com nós mesmos, estamos prontos pra qualquer recomeço que vier daqui em diante.

Solta a corda e deixa ir embora. Todo recomeço começa com um final.

Exploradores

Por muito tempo eu pensei que precisava ter alguém ao meu lado, eu acreditava que precisa de alguém ali pra me segurar quando eu caísse.

Até que me empurraram.

A mão que eu procurei pra não cair me deu o golpe final.

E eu não entendi o que eu tinha feito de errado, e por muito tempo procurei respostas, tentando aplicar a culpa em mim, o que faltou ali, onde eu deixei a desejar?

As vezes a gente se diminui demais pra caber na vida de alguém que não se diminuiria um milimetro por nós. E quando a gente expande o minúsculo espaço que nos foi concebito, somos arrancados de lá como se fôssemos descartáveis, e a gente continua se perguntando o porquê daquilo.

E a resposta pra essa e todas as perguntas anteriores chega sem pedir licença, arromba a maçaneta, empurra a porta e então finalmente entendemos que nós não fizemos nada de errado, só que a gente se diminui, se aperta ao máximo pra se encaixar em algum lugar que não nos pertence. 

Não se deve nunca se diminuir por ninguém e nem permitir que os façam por nós.

E nesse momento, que essa verdade arrebata teu coração e te faz ver que você é um universo inteiro de particularidades, de gostos, de memórias, de peculiaridades, você não se contenta em ser uma simples constelação.

Você quer ser exatamente quem você é, com todos os dramas, todas as conquitas, todos os sonhos, as qualidades e também os defeitos, e você aprende a amar esse emaranhado de sentimentos que é ser você.

Não existe nada mais gratificante do que sentir prazer em ser quem se é, e assim, poder encontrar alguém disposto a aterrizar em nós e visitar cada pedaço não explorado do universo que existe dentro de você e se deixar explorar.

 

Telespectadora

Quando se trata de amor, eu sempre fui telespectadora de romances alheios. É como se fosse um filme ou um livro que eu vejo de fora e imagino como seria se fosse comigo. Mas nunca é.

Não me entendam mal quando eu digo isso, não sinto inveja de acompanhar de fora, eu acho é bonito, e nem achem que eu não acredito no amor por isso. Eu já me questionei diversas vezes se o amor não é uma fantasia criada por gente como eu que só vê de longe, mas uma vez eu li uma frase, que eu daria crédito ao autor se soubesse de quem é, que dizia o seguinte:

Se você tem medo de amar, você tem coragem do quê?

O mundo todos os dias faz parecer normal compartilhar ódio e limitar o amor.

Talvez eu seja a última das animadoras, talvez não seja tudo isso, mas eu quero sentir, o mundo anda com tanto ódio que espalhar amor é revolucionário, e parafraseando Amélie Poulain: São tempos difíceis para os sonhadores.