PARA, noia!

As vezes esse pesadelo da vida real parece que não quer me deixar em paz nunca, essa tempestade dentro da gente que é não se sentir boa o bastante pra nada ou pra ninguém, nem pra mim mesma. E é paradoxal essa ideia de não suportar esse sentimento e ao mesmo tempo não conseguir deixá-lo ir embora. Ela chega, pequeno, no canto da mesa, no braço do sofá, repetindo pro seu sub consciente que você não é boa o bastante. A gente tenta ignorar, mas ele fala cada vez mais alto e mais alto e mais alto e a gente, por fim, acredita, e acredita tanto que duvida de qualquer um que tente te convencer do contrário. Todos estão errados, só quem está certa é ela, a boa (não tão boa assim) e velha paranoia (PARA, noia!) Ela parece ser a voz da verdade e da razão e mesmo com consciência de que ela só mostra o que a gente não gosta em nós, e coloca um pano pra cobrir as nossas qualidades, a gente acredita, acredita sabendo que não é verdade, porque também não é mentira, é só um ponto de vista que a gente coloca em nós mesmos, exaltando aquilo que nos desgasta emocionalmente e escondendo o que tem de bom dentro da gente. Uma vez eu ouvi uma canção que dizia o seguinte: “Eu quero ter controle, eu quero um corpo perfeito, eu quero uma alma perfeita” e por mais que eu saiba da inexistência do que a gente julga perfeito, eu acreditei, eu quis isso, eu quero tanto isso e ao mesmo tempo, eu só queria me livrar de querer o que não existe. Mas ter consciência da inexistência de algo já é um passo pra colocar no acervo dos sonhos-impossíveis e seguir a diante, mas é tão difícil andar pra frente com algo que te puxe a cada vez que você tente se levantar. Mas uma vez eu li que “a gente é mais forte do que acredita ser” e nisso sim, eu preciso acreditar, acreditar que existe uma força interior maior do que a que te puxa pra baixo.

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Oito ou oitenta.

Se é pra parar no meio do caminho, não dê o primeiro passo.
Se é pra desistir, nem tenta.
Se é pra ser pela metade, eu prefiro ser inteira sozinha.
Se é pra fazer mal pra alguém, não faça nada.
Se for pra ser, que seja de verdade.
Se for pra caminhar, aguente o cansaço.
Se for pra descansar, que seja após o caminho percorrido.
Se é pra ser, que seja por conta e risco.
E se for por conta e risco, encare o perigo.
Se é pra ser passageiro, nem entra no vagão.
Se é pra ir embora, vá agora, mas não demora.

Sobre alguém que eu não conheço (ainda)

Tem muito espaço aqui.

Tá sobrando lugar no lado esquerdo do peito.

Tá tudo bagunçado, de qualquer jeito.

Faz tempo que não aparece ninguém por aqui.

Mas a porta tá entre-aberta.

Qualquer coisa, pode entrar pela janela.

Entre por onde quiser, contando que fique. 

Jogue as chaves fora e nunca mais vá embora.

Desculpa toda essa ladainha, é que eu estou enjoada de estar sozinha. 

Me faz companhia, fica aqui até clarear o dia.

E esquecer de novo…

e clarear.

e chover…

e o sol nascer de novo.