O inteiro das metades.

Eu não sou do tipo de pessoa que rascunha um texto até que ele pareça o mais bonito possível, eu raramente o faço, eu gosto de escrever e deixar como está, porque a forma mais honesta de fazer algo, é quando você a faz pela primeira vez, sem exigir perfeccionismo. Isso vem com o tempo, se for pra vir. 

No universo literário, a teoria funciona, mas e quando eu aplico-a na vida, o efeito não é como o planejado.

Fazer algo por impulso, pode – e provavelmente – dará errado. O rascunho é importante na vida real. Mas quem muito rascunha, pouco finaliza, então alguém me diz, de que vale um bom poema, bonitas rimas, se ele não se concretizar? Sem um ponto final, pra concluir o raciocínio, ele perde o sentido, e assim é na vida, de que vale uma paixão arrebatadora, que chega de repente, mas que termina do mesmo jeito que começou? 

Basicamente, por maior que a chance de algo dar errado por não ter sido planejada, reescrita e rascunhada, que seja de última hora, mas que seja por inteiro, a imperfeição de algo não o torna menos belo, tanto no mundo real quanto no literário, valorizem a história que, mesmo com suas imperfeições, tem continuidade, se conclui, se concretiza. Imperfeições são melhores do que contos-de-fadas com data pra acabar. 

Vivam as imperfeições do dia-a-dia, vivam e as concretizem. Quem busca só beleza, fica na metade, se tem final, não é de verdade, vivam e procurem sempre por continuidade. 

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Sobre ele (que eu não conheço ainda)

Mas me diz então, como que eu posso esperar por alguém que eu sequer conheço ainda? E quando conhecer, quem vai chegar e me falar “Olha, é ele!”? E se esse “ele’ nem existir?

Quem garante que existe mesmo algum tipo de predestinação que faça com que a gente encontre alguém que também estava esperando pra encontrar a gente? 

E se existir mais que um “ele”? E se não existir nenhum? E se esse “ele” for de um país diferente e eu nunca chegar sequer a trombá-lo no ônibus ou metrô? E se eu encontrar “ele” e eu não for a “ela” dele? E se tudo isso for uma grande merda inventada por algum romântico que não tinha nada pra fazer em um Domingo e resolveu criar a teoria da predestinação? De todas as alternativas, eu ainda acho que a ideia de ter sido invenção de algum romântico desocupado a mais plausível.

Mas, ainda que exista mais de uma opção pra ser “ele”, ainda assim, como eu vou saber? Não vai vir uma etiqueta na camisa dele escrito “ele sou eu!”, então eu provavelmente iria agir por instinto, ou pela lógica, ou pior, pelo emocional, e nenhum destas três maneiras são muito funcionais (no meu caso), meu instinto é falho, minha lógica sempre dá resultado errado e meu emocional é abalado. E então, o que eu faço? 

Dizem também que o destino é a gente é que faz, mas se tratando de relacionamentos, é preciso que o destino de duas pessoas, feitos individualmente, entrem em acordo e caminhem simultaneamente, porque mesmo que eu faça o meu destino, como eu posso incluir alguém nele, se esse outro alguém também tem o direito de fazer o seu destino também?

Acho melhor eu ficar por aqui, antes que eu fique louca, e “ele” não gostaria de incluir uma louca em seu destino.