eu

Eu não sou a arte

eu sou artista

Eu não sou o poema

eu sou poetiza

Eu não sou o tormento

eu sou a calmaria

Da minha vida, eu não sou figurante

Sou protagonista.

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Diário

Uma coisa que eu aprendi nessa vida é que nada é mais efêmero que o sentir, um dia tá tudo bem, no outro nem tá mais aqui

Eu não escrevo mais como outrora, eu acumulei as coisas que eu deveria ter dito antes, não agora

Mas o tempo voa, vê se não demora

Me disseram um dia que nunca se deve implorar afeto, que tudo tem que vir de peito aberto

Eu sou o diário, um rascunho incompleto completa meus versos

Me aconchega no teu peito, abafa esse eco, me deixa por perto.

sobre recomeços.

Eu sempre tive uma certa dificuldade em lidar com terminos, nunca soube como desatar o nó – e segurava a corda com tanta força que me arrancava sangue das mãos -, eu não sei encarar despedidas e sempre tive medo de recomeços.

O medo de recomeçar não deixa sair do lugar.

A gente se sabota – o tempo inteiro – pelo medo do fracasso, quando se da conta que não há maior fracasso do que o de quem não teve coragem de tentar.

A partir do momento que eu entendi isso, me dei conta de que a vida não passa de um emaranhado de pequenos ciclos, e que todo ciclo tem seu começo, meio e fim, e que é necessário fechar um ciclo pra começar outro e isso – nem sempre- é ruim.

Quando a gente se apega ao passado, perde todas as possibilidades que o presente oferece. Quem caminha olhando pra trás não enxerga o que está bem na sua frente.

Recomeços são necessários a todo momento, mas nem sempre a gente tá pronto pra entender isso.

Quando eu falo sobre recomeços, falo também sobre recomeçar um relacionamento com nós mesmos.

Nem tudo que deu errado é sua culpa e nem tudo depende de você. É normal errar.

Ser gentil consigo mesmo é revolucionário.

E quando conseguimos recomeçar com nós mesmos, estamos prontos pra qualquer recomeço que vier daqui em diante.

Solta a corda e deixa ir embora. Todo recomeço começa com um final.

Exploradores

Por muito tempo eu pensei que precisava ter alguém ao meu lado, eu acreditava que precisa de alguém ali pra me segurar quando eu caísse.

Até que me empurraram.

A mão que eu procurei pra não cair me deu o golpe final.

E eu não entendi o que eu tinha feito de errado, e por muito tempo procurei respostas, tentando aplicar a culpa em mim, o que faltou ali, onde eu deixei a desejar?

As vezes a gente se diminui demais pra caber na vida de alguém que não se diminuiria um milimetro por nós. E quando a gente expande o minúsculo espaço que nos foi concebito, somos arrancados de lá como se fôssemos descartáveis, e a gente continua se perguntando o porquê daquilo.

E a resposta pra essa e todas as perguntas anteriores chega sem pedir licença, arromba a maçaneta, empurra a porta e então finalmente entendemos que nós não fizemos nada de errado, só que a gente se diminui, se aperta ao máximo pra se encaixar em algum lugar que não nos pertence. 

Não se deve nunca se diminuir por ninguém e nem permitir que os façam por nós.

E nesse momento, que essa verdade arrebata teu coração e te faz ver que você é um universo inteiro de particularidades, de gostos, de memórias, de peculiaridades, você não se contenta em ser uma simples constelação.

Você quer ser exatamente quem você é, com todos os dramas, todas as conquitas, todos os sonhos, as qualidades e também os defeitos, e você aprende a amar esse emaranhado de sentimentos que é ser você.

Não existe nada mais gratificante do que sentir prazer em ser quem se é, e assim, poder encontrar alguém disposto a aterrizar em nós e visitar cada pedaço não explorado do universo que existe dentro de você e se deixar explorar.

 

Telespectadora

Quando se trata de amor, eu sempre fui telespectadora de romances alheios. É como se fosse um filme ou um livro que eu vejo de fora e imagino como seria se fosse comigo. Mas nunca é.

Não me entendam mal quando eu digo isso, não sinto inveja de acompanhar de fora, eu acho é bonito, e nem achem que eu não acredito no amor por isso. Eu já me questionei diversas vezes se o amor não é uma fantasia criada por gente como eu que só vê de longe, mas uma vez eu li uma frase, que eu daria crédito ao autor se soubesse de quem é, que dizia o seguinte:

Se você tem medo de amar, você tem coragem do quê?

O mundo todos os dias faz parecer normal compartilhar ódio e limitar o amor.

Talvez eu seja a última das animadoras, talvez não seja tudo isso, mas eu quero sentir, o mundo anda com tanto ódio que espalhar amor é revolucionário, e parafraseando Amélie Poulain: São tempos difíceis para os sonhadores.

Navegar

Você me falou um dia que não estava pronto pra continuar, mas como poderia estar? Ninguém se prepara quando não se sabe o que esperar.

Quando se navega, por mais que façamos um mapa, e que tenhamos uma rota a seguir, a gentenunca sabe quando uma onda vai quebrar, pra onde o mar pode nos levar.

O barco pode afundar ou pode continuar.

A gente só tem um papel na mão, uma bússola no bolso, mas a gente vai, e vai porque, por mais incerto que o caminho seja, a gente sabe onde quer chegar, e pode ser dar em lugar nenhum, pode ser que a missão seja abortada e tenhamos que voltar pra casa, mas o maior fracasso segue sendo o daquele que não quis tentar.

Eu não te falei na época que eu também não estava pronta, e que não teria como estar, mas diferente de você, eu quis tentar.

É melhor dar errado do que não dar em nada.

Não adianta tentar esconder, fugir, fingir que tem controle, se o amor chegar, ele não vai te pedir licença, vai ultrapassar qualquer colete à prova de balas que você esteja usando. O amor não pede pra entrar, ele não te pergunta se você está pronto, por que nunca se está.

E se você conseguiu desistir sem sequer tentar, é porque o amor não chegou nem a entrar.

Amar é navegar, nada impede a onda de passar.

Me fala de você. 

Me fala de você, mas não aquilo que todo mundo saiba, me conta teus medos, divide tuas histórias, dos teus fracassos e das tuas glórias, me inclui nos teus planos, não me deixa de fora. 

Mas me fala se por acaso eu te incomodar, eu nunca sei quando devo ficar. 

Eu faço tudo devagar porque tenho medo de errar, mas nem todo mundo está disposto a esperar, mas nem tem obrigação de estar, isso não é algo a se mendigar. 

Mas, voltando à você, me fala o que lê, o que assiste na TV. 

Me fala das tuas crenças, se acredita em Deus, na teoria da evolução ou se tudo começou depois de uma explosão. Vamos discutir alguma teoria da conspiração, me fala a sua opinião, não solta a minha mão. 

Me fala de você, do que já conquistou e do que pretende conquistar, pois não existe vitória se não tiver com quem comemorar.