Me fala de você. 

Me fala de você, mas não aquilo que todo mundo saiba, me conta teus medos, divide tuas histórias, dos teus fracassos e das tuas glórias, me inclui nos teus planos, não me deixa de fora. 

Mas me fala se por acaso eu te incomodar, eu nunca sei quando devo ficar. 

Eu faço tudo devagar porque tenho medo de errar, mas nem todo mundo está disposto a esperar, mas nem tem obrigação de estar, isso não é algo a se mendigar. 

Mas, voltando à você, me fala o que lê, o que assiste na TV. 

Me fala das tuas crenças, se acredita em Deus, na teoria da evolução ou se tudo começou depois de uma explosão. Vamos discutir alguma teoria da conspiração, me fala a sua opinião, não solta a minha mão. 

Me fala de você, do que já conquistou e do que pretende conquistar, pois não existe vitória se não tiver com quem comemorar. 

Amores mundanos 

Eu nunca gostei de comédias românticas, de livros de romance e desse amor mundano. 

Eu quero conversar sobre meu livro preferido, sobre cinema, sobre tudo que nos cerca nesse universo e sobre esse universo que cada um tem dentro de si. 

Eu nunca quis ser uma estrela, eu queria visitar outras constelações. 

Eu quero músicas novas, lugares novos, quero falar dos meus planos, dos que deram errado e dos que eu ainda não tentei. 

Quero falar do mundo e comentar o que tá passando na TV, quero saber de você. 

Não me entendam mal quando eu digo que não quero amores mundanos, eu só quero um amor que me tire do chão mas que não solte a minha mão. 

Das coisas que me fazem escrever

(Texto de uns dias atrás, mas a situação a que eu escrevi não era tão diferente da atual)

Me disseram que eu levo jeito com as palavras, que eu me expresso com mais facilidade que grande parte das pessoas, sorri e agradeci, mesmo sabendo que eu só escrevo exatamente por não saber me expressar de outro jeito.
Eu não costumo ser o tipo de pessoa que não tem ninguém ao redor, que se isola, mas eu me sinto isolada a maior parte do tempo e isso mesmo cercada de pessoas, e não é por não gostar ou apreciar suas companhias, eu penas raramente me sinto no lugar que eu realmente estou em corpo presente.
Eu sou vagante, eu viajo, eu saio do lugar que eu estou, eu converso, eu dou risada, mas eu me sinto fora do ar, eu não estou ali, não de verdade.
É difícil explicar, e é por isso que eu escrevo.
Eu escrevo porque é onde eu me encontro comigo mesma
Eu escrevo porque falar alto não é tão fácil pra mim
E escrevo porque não sei lidar com sentimentos, então eu os canalizo pra um caderno, um blog pessoal, algum lugar que eu expresse tudo aquilo do jeito que “eu sei me expressar”
Eu acredito na teoria de que as pessoas relacionadas a escrita (ao menos a grande parte delas), sejam poetas renomados, escritores de internet ou de bloco de notas, escrevem pra desatar nós da garganta.
Não é e nunca foi uma questão de ego, muito menos de romantizar o cotidiano, eu escrevo porque é a única forma que eu encontrei de sobreviver nesse mundo e que o “meu mundo” sobreviva a mim.
Eu escrevo porque observo, e só quem é extremamente observador e detalhista sabe o que é reparar num tom de voz sutilmente mais rude do que de costume, e saber que não faz diferença pra ninguém ao redor, e eu preciso colocar todas essas observações em algum lugar.
E eu escrevo porque é minha forma de encarar melhor as coisas, de ver de fora e tentar ver algum sentido naquilo tudo.
E um dos principais motivos que eu escrevo é porque eu nunca me esqueço.
Eu lembro do que me falam anos depois, nas mesmas palavras que foram ditas, e eu acumulo tudo dentro de mim, coisas boas e coisas ruins. Coisas boas que eu sei que não voltam mais e coisas ruins que eu queria que existisse uma função no nosso cérebro que deletasse com um “click”, mas não acontece. E eu preciso fazer alguma coisa com esse monte de memória, e eu eternizo-as, no plano-físico, pra, mesmo que metafóricamente, as tire da minha cabeça e coloque-as em outro lugar.
Eu escrevo porque eu aprecio a solidão, não no sentido de não gostar de outras pessoas, mas de me obrigar a ser uma companhia agradável pra mim mesma e saber que eu só consigo pensar e realmente entender algo quando não há mais ninguém além de mim e uma tela/folha pra eu exorcizar os demônios de mim. E eu me sinto menos só quando escrevo.
No exato momento que escrevi tudo isso, minha companhia se resume a um CD riscado do The Doors tocando no fundo e uma xicara de café e esse amontoado de pensamentos que eu não consigo canalizar de outra forma. A solidão é uma benção e um fardo.
Eu escrevo porque eu sinto em excesso.
Eu escrevo porque é minha válvula de escape.
No fundo, o único som que me acompanha é People Are Strange, e curiosamente, um dos motivos de eu escrever é não entender as pessoas. Não digo individualmente, existe algumas pessoas que eu entendo, mas coletivamente, eu não as entendo, as pessoas continuam estranhas.
E eu não me atrevo a tentar entender, me limito a escrever sobre meus excessos e minhas faltas.
Eu escrevo sobre as coisas que me faltam, pessoas que já se foram e é a forma que eu encontrei de eternizar o efêmero: Em poesia.

Sob medida

Eu não sinto mais nada, e supostamente isso deveria ser algo bom, mas o vazio do nada dói também.

O “nada” é nada menos que o espaço que alguém deixou e que a gente se obriga a esvaziar, tentar arrancar as lembranças e não tem o que colocar no lugar delas. Há uns bons anos atrás eu escrevi em algum texto que o vazio ocupava espaço, e ainda ocupa.

O vazio é o espaço que a gente reservou pra alguém que no meio do caminho, decidiu que não estava confortável ali e foi embora. E a gente não soube o que fazer com aquele espaço, aí começamos a tentar enfiar outras pessoas ali, mas ninguém cabe, ninguém se encaixa, aquele espaço foi feito sob medida pra alguém que não está mais lá.

E lá era o lugar que não se pretendia esvaziar jamais, e quando isso acontece, a gente não sabe como se ajeitar num espaço que é grande demais pra se ocupar sozinha e pequeno demais pra colocar qualquer pessoa.

Então a gente sai de lá e deixa ali o vazio.

E a gente vai embora porquê sabe que o espaço vazio do lado vai doer mais do que sair dali pra sempre.

E de vez em quando, nas voltas da vida, a gente passa por ali por acaso e quase entra de novo naquele espaço sob medida pra duas pessoas, só pra sentir algo, nem que seja saudade, mas nessa hora a gente se lembra do que nos fez ir embora.

A gente foi embora porque quem estava ali foi embora antes.

E então a gente percebe que alguns espaços, depois de vazios, não podem ser preenchidos novamente.

E a gente se ajeita em outro espaço.

Cicatriz

Não adianta dizer pra alguém “calma, vai passar”, porque a gente sabe que vai, o problema nunca é a ideia de nunca passar, e sim como que a gente vive normalmente enquanto não passa.

O mundo não para pra esperar a gente se recompor, então a gente vai, expõe a ferida as poeiras mundanas antes mesmo de cicatrizar, pode ser que infeccione e se torne algo pior, mas a gente tem que ir.

E no começo, vai doer, vai arder, mas a ferida não sara se a gente não parar cutucar.

E a gente vai cutucar a ferida sim, ou vão fazer isso por nós. Vão nos perguntar “Mas e o fulano?” e pronto, basta. Já arrancou a pele antes de cicatrizar e sangrou tudo de novo.

A saudade é uma ferida que a gente cutuca porque prefere ver sangrar do que pensar que aquilo nunca vai existir de novo. A gente prefere sofrer por expectativas que a nossa imaginação criou do que encarar o fato que acabou.

Assim como um dia começou sem a gente planejar, acabou, sem nos dar um tempo pra gente pensar em como que vamos continuar daí em diante.

Mas um dia, alguém cutuca aquela mesma ferida que ardeu quando a gente expôs pela primeira vez ao sol, e de repente, não sangra mais.

Cicatrizou.

A colisão

A gente passa tanto tempo olhando pras pessoas que não se importam com ninguém e pensa que seria tudo mais fácil se fôssemos como elas, se a gente simplesmente não ligasse.

Mas quando a gente não liga pra ninguém, no nosso telefone nunca vai ter uma chamada perdida, uma mensagem no fim do dia, ninguém vai ligar pra gente de volta, e isso sim dói.

Dói porque, no fundo, todo mundo quer ouvir um “você não tá sozinha” e é arriscado viver o que se sente, é arriscado porque o amor é uma faca de gumes e a gente nunca sabe que lado que vai doer, mas a gente vai mesmo assim, porque o corte pode doer, mas a ideia de não ter vivido aquele fim de tarde, aquela Domingo preguiçoso, doeria muito mais. No fundo, vale o risco.

Amar é estar na linha de frente, sempre.

E a gente nunca sabe o que vai vir sentido contrário, a gente não sabe como vai ser a colisão. A gente pode se quebrar em mil pedaços ou pode se fundir ao que vier no sentido oposto ao nosso, mas o problema é que: A gente nunca sabe. A gente tá na linha de frente, sem escudos, sem colete à prova de balas, esperando pela colisão.

E então a gente colide.

A gente pode explodir e se espalhar pra todos os lados. A gente pode virar pó.

Mas se existem pessoas que afirmam que o universo surgiu por causa de uma explosão. Algumas coisas precisam ser destruídas pra que outras novas surjam.

E quem sabe, a gente se transforme em algo maior, depois de explodirmos? Quem sabe a nossa colisão não seja lembrada daqui há milhares de anos e os historiadores, cientistas e astrônomos não estudem a nossa colisão?

Eu quero ir à linha de frente, quero estar preparada pra quando você chegar no sentido contrário.

Eu quero que seja memorável, que ilumine os quatros cantos da cidade. Do universo.

Eu quero o momento da colisão

Eu quero saber o que seremos após, eu quero que a gente seja maior.

Que a gente exploda

E vire uma coisa só

E que, ao redor da gente, tudo seja pó.

 

Eu já estive nos dois lados da moeda

Já tive o coração partido, já parti o coração de alguém

Já fui embora e já esperei pelo que não vem

E hoje eu entendo que só se sabe o que alguém sente quando sentimos o mesmo, e só quando sentimos o mesmo, descobrimos o que é empatia

A gente se coloca no lugar de quem perdeu alguém por saber o que é olhar pro lado e não ver mais ninguém ali

Não existe manual de instrução que ensine quando partir e quando ficar e não existe nenhuma palavra no dicionário que obrigue alguém a ficar.

A gente fica porque quer ficar e com quem quer ficar também, e qualquer outra forma de permanência será danosa, nó fraco hora ou outra, desmancha e nó apertado demais sufoca ao invés de confortar. Nós temos que saber calcular os nós que damos.

A gente entende quem vai embora porque já soube a hora de partir, ainda que tenha ferido alguém, com o tempo a gente entende que não se pode ficar em algum lugar por pena, por remorso, o único motivo que tem que te fazer ficar é: Vontade de ficar.

Só fique se o nó não nos partir ao meio.

Só fique se o nó não enforcar ninguém.

Só fique se quiser ficar.

A geração que tem medo de sentir

 

 

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Detesto ver gente se desculpando pelo que sente, como se fosse errado sentir algo, errado é não demonstrar.

Estamos numa era que romantiza desinteresse, frieza e desapego e quem demonstra, quem vai atrás e se importa é “trouxa” por isso

Eu sei que a vida deixa marcas, traumas e que a gente tem medo de viver tudo de novo, mas é o medo de sofrer de novo que impede que a gente viva algo novo.

Reciprocidade não se cobra de ninguém, mas isso não quer dizer que é errado sentir o que se sente, que é errado demonstrar, errado é calar o coração por medo de um ‘não’, não iniciar nada por ter medo que chegue ao fim

É o medo do fim que faz a gente nem começar.

Eu já disseminei desapego por aí como se fosse algo legal, mas quando paramos pra pensar, a gente entende que pior que sentir algo e não dar certo, é não sentir nada.

O coração que se priva do amor por medo da dor, se resume a sua função de apenas bombear sangue, e quando o coração da gente apenas bombeia sangue, a gente existe, mas não vive.

A gente precisa sentir, precisa arriscar, precisa dar a cara a tapa ao mundo, por mais difícil que seja as vezes.

O mundo é gigante e existem milhares de pessoas nele, se dentre essas milhares, você encontrar alguém que tenha a mesma sintonia que a tua, se permita que essa pessoa faça parte da sua vida e a faça permitir que você faça parte da dela.

As pessoas ruins que passam pela nossa vida não tem o direito de impedir que você continue. O passado existe pra que a gente aprenda com ele e não que a gente se prenda por causa dele.

 

Conexões.

Eu nunca sei o que dizer quando me perguntam de mim, porque eu sei que nada que eu queria responder corresponde ao que a pessoa quer que eu responda.

As pessoas esperam um “eu to bem e você?” mas eu quero falar da minha vida, dos meus amores e até dos meus rancores, falar de fins de tarde, contar histórias de bêbada.

Quero falar do universo e da coincidência que é, no meio ao universo, ao planeta terra, tantos países, tantas pessoas, tantas rotinas, nós estarmos no mesmo lugar pra ter essa conversa. As pessoas deveriam se questionar mais do que é estar no mesmo lugar que alguém, se tornar amigo de uma pessoa no meio de milhares, nas conexões de alma, na sintonia que a gente sente no ato, do porque existem pessoas que a gente simplesmente gosta ou não gosta só de olhar.

Eu quero falar sobre meus planos pro futuro, dos meus sonhos, das minhas frustrações, do que precisou acontecer pra hoje eu ser quem eu sou e sobre quem eu almejo ser um dia.

Eu quero sentar na calçada, beber alguma coisa e rir das pessoas na rua, cantar alto em público, eu quero a ressaca no dia seguinte.

Eu quero beijos em lugares públicos, demonstração de afeto no meio da rua.

Eu quero conversar sobre minha infância, minha banda preferida, meu filme preferido, comentar o livro que eu tô lendo.

Eu quero falar muito mais do que um “to bem e você?”

Eu quero sentir sintonia ao conversar.

Eu quero conversas reais.

Eu quero conexões, mas conexões reais, daquelas que a gente só descobre quando desliga o Wi-Fi.

Sobre nós.

Se esse texto fosse a última coisa que eu te escreveria, eu iria te lembrar de cada coisa.

Dos Domingos preguiçosos.

Das madrugadas de Sábado.

Dos dias que a gente saiu sem planejar.

E até dos que a gente planejou e não foi.

Do pote de lembrança que a gente prometeu fazer e ler tudo no fim do ano, mas no meio do ano, eu não tenho mais o que colocar lá.

Da tarde no Parque Ibirapuera.

Do show de graça no Centro.

Das idas no shopping do nada.

De cada abraço que eu me sentia mais em casa que na minha própria casa.

De cada beijo.

De cada sexo.

De cada risada.

Cada piada interna.

Cada maratona de série.

De cada bebedeira.

De cada “te amo” de despedida.

De cada boa noite.

Das vezes que você me buscou no metrô ou no ponto de ônibus.

Muitas vezes você parece não perceber o quanto é importante e a diferença que faz no universo.

São 2016 anos desde que a humanidade se entende como humanidade, e mais sabe-se-lá quantos anos antes disso, e eu me sinto privilegiada por estar vivendo na mesma época que você.

Se esse fosse o ultimo texto que eu te escrevesse, eu diria pra gente tentar de novo, diria que não se abre mão de um amor assim, mas que eu entendo que precisa de tempo, e eu jamais negaria isso a você, mas te pediria pra pensar na grandiosidade de cada pequena coisa que viveu comigo.

Eu sei que não se supera o passado de um dia pro outro, mas a vida não para e a gente precisa seguir em frente, um dia você me disse que pretende tatuar YOLO (you only live once) e hoje eu te digo, só se vive uma vez, então vive comigo.